Agricultura Natural

A Agricultura Natural foi idealizada na década de 1930 pelo filósofo e espiritualista japonês, Mokiti Okada (1882-1955). Ele elaborou um extenso trabalho abordando assuntos ligados à agricultura, política, economia, educação, moral, arte, medicina e religião.

 

Mokiti Okada, um observador dos princípios da natureza, manifestou profunda preocupação com o método agrícola convencional devido ao emprego excessivo de agroquímicos no solo. 

 

O excesso de insumos químicos altera o ciclo natural do solo e acarreta um desequilíbrio biológico em função da eliminação de microrganismos indispensáveis ao desenvolvimento das plantas que, com suas características modificadas, tornam-se dependentes dos produtos químicos.
 

A utilização de agroquímicos foi intensificada e disseminada como prática convencional a partir da Primeira Grande Guerra Mundial. Essa estratégia foi necessária na época, pois precisavam impulsionar a produção agrícola em larga escala e em tempo acelerado devido à escassez de alimentos. Porém, essa medida acarretou um impacto ambiental devastador.

 

Mokiti Okada trouxe a clareza de que os “bons resultados” obtidos pelo uso indiscriminado de agrotóxicos têm caráter passageiro e acarretam graves consequências ao meio ambiente, como: a presença de resíduos químicos nos alimentos; alteração das propriedades nutricionais e verdadeiro sabor dos mesmos; comprometimento da saúde do agricultor e do consumidor; contaminação dos mananciais, leitos de rios e lençóis freáticos, enfim, desequilíbrios ambientais de múltiplas ordens com repercussões em toda cadeia alimentar.
 

A base teórica da agricultura natural privilegia a saúde humana e coloca o meio ambiente como parte integrante dos processos produtivos, valorizando a importância de se compreender e aplicar os processos que acontecem nos ecossistemas nativos como um ponto de partida para que a produção agrícola alcance a necessária produtividade, resiliência e qualidade diferenciada. 
 

Segundo Mokiti Okada, “todo o suprimento necessário de nitrogênio que o homem necessita para a produção agrícola emana do núcleo do planeta Terra sendo, portanto desnecessário e errôneo o uso de adubos solúveis e compostos de origem animal, pois uma vez aplicados alteram as propriedades funcionais do solo, comprometendo sua capacidade produtiva até o ponto de sua completa exaustão. Afirma que o solo se especializa com as culturas não se exaurindo em nutrientes mesmo
com sua repetição, portanto a reposição de nutrientes não só é desnecessária como igualmente enfraquece suas funções”. 

 

O trabalho de Mokiti Okada também inclui consumidores e produtores rurais em cadeias de valor importantes para a sustentação do meio de vida rural, gerando prosperidade no campo, equilíbrio social nos centros urbanos e saúde e bem estar de ambos.
 
Maiores informações sobre esse tema podem ser encontrados no site: cpmo.org.br

Como é feito o controle de pragas na agricultura natural?

Logo que conheci o agricultor Aparecido Nunes, que trabalha com a agricultura natural há mais de 25 anos, eu fiz essa pergunta para ele. 

Renata: Cido, como você controla a praga dos cítricos? 

Cido: Renata, eu não chamo de praga. Todos fazem parte, inclusive os insetos, fungos, etc. 

Eu não brigo com a morte. Se um pé de limão precisa morrer é porque o solo precisa dele. Ele irá morrer, nutrir o solo e preparar a terra para que os próximos pés nasçam mais fortes. 

Eu não uso nada na minha plantação de cítricos há anos. Não perdi nenhum pé e todos estão dando frutos. 

Às vezes um pé pode não dar frutos em uma safra, mas dará em outra. 

É preciso observar a natureza e ter paciência com o tempo dela.        
 

 
CSA: um caminho que
proporciona sustentabilidade
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O conceito de uma Comunidade que Sustenta a Agricultura (Community Supported Agriculture - CSA) é uma prática de sucesso para o desenvolvimento agrário sustentável e distribuição de alimentos saudáveis e seguros diretamente ao consumidor. É um movimento internacional que nasceu na década de 1960 e 1970 no Japão e na Alemanha, foi integrado à Lei social de Rudolf Steiner e vem se expandindo no mundo como um todo. 

 

Nesse modelo econômico produtores e consumidores possuem uma relação direta, sem intermediários. Um grupo fixo de consumidores se compromete a cobrir o orçamento anual da produção agrícola. Desta forma, o produtor pode se dedicar de forma livre à sua produção sem as pressões do mercado e os consumidores recebem produtos de qualidade, com a segurança de sua procedência e preços justos. Ambos dividem os ônus e bônus da agricultura, por essa razão os consumidores são considerados coagricultores. 

 

É nova forma de economia que oferece vantagens para a terra, plantas, animais e o homem. 

 

O primeiro CSA implantado no Brasil foi em 2011 na cidade de Botucatu-SP.  Em 2014 foi fundado o CSA BRASIL, associação sem fins lucrativos que visa ajudar na criação de novos CSAs e auxiliar os projetos já existentes. 
 
Maiores informações: csabrasil.org
 

 

CSA São José do Rio Preto

Comunidade que sustenta a agricultura de São José Do Rio Preto

Primeiro CSA do Brasil que tem como princípio a agricultura natural


 
O CSA São José foi fundado em janeiro de 2018 pela nutricionista Karen Longo e o agricultor Aparecido Nunes que trabalha com agricultura natural há mais de 25 anos.  Nossa comunidade começou com quatro agricultores e cinquenta famílias. Em seis meses de CSA atingimos o número de setenta famílias e temos uma lista de espera de pessoas interessadas aguardando a ampliação do processo produtivo.  Um diferencial do CSA São José é que nós seguimos a filosofia da agricultura natural, ou seja, todos os produtos são cultivados sem a utilização de nenhum insumo e com respeito integral à natureza e seus ciclos. 
 
Atualmente, nossa CSA é constituída por 2 agricultores (Aparecido e o Pedro) e cerca de 80 co-agricultores.

Os agricultores produzem e oferecem aos co-agricultores 6 itens por semana.

A CSA tem duas opções de cota, que se diferem na quantidade em gramas de cada item:

Cota inteira: valor de R$180,00/mês. 

Meia cota: valor de R$95,00/mês.

Com base na safra os agricultores definem o que será plantado a fim de fornecer a cota estipulada. 

 

Trabalhar com a agricultura natural nos ensina a receber da terra o que ela tem a nos oferecer e não o que eu quero que ela me dê.  Muitas vezes precisamos entrar em contato com a frustração de nossos desejos, pois o a cota da semana pode enviar um legume que eu não gosto, por exemplo. 

A filosofia da agricultura natural é congruente com o que Bert Hellinger nos trouxe e com a base científica da nutrição materno infantil. 


 
EXEMPLO QUE ACONTECEU NO CSA DE BAURU 

Na primeira palestra que assisti sobre CSA o coordenador do CSA Brasil, Wagner Santos, contou um episódio que aconteceu no CSA de Bauru anos atrás.  Os produtores plantaram vários alimentos e um pouco de inhame. Porém, começou a nascer muito inhame e os outros alimentos não nasceram na mesma quantidade. Portanto, foi necessário oferecer inhame quase toda semana. Os consumidores começaram a reclamar, pois não queriam mais comer inhame. Os nutricionistas do grupo começaram a pesquisar receitas com inhame a fim de diversificar o consumo. Mas, a insatisfação era grande. Até que um dia um integrante descobriu que o inhame, ao ser consumido, libera um odor na pele que atua como repelente natural para o mosquito da dengue. Esse episódio aconteceu na fase das chuvas, durante o surto de dengue na região. Portanto, a terra estava oferecendo àquela comunidade o “remédio” necessário para não contrair dengue.    
 
Nem sempre a mãe Terra nos dá o que desejamos, mas ela sempre nos oferece o que realmente precisamos.  
 
 

A AGRICULTURA NATURAL E A CSA NA MINHA VIDA 

Meu pai sempre teve sítio e nos manteve conectado à terra, ao cuidado dos animais e à plantação de alimentos. Após sua morte ficamos perdidos, sem saber como cuidar do sítio. 

Eu sempre falei para o meu pai que gostaria de plantar alimentos sem agrotóxicos. Ele me dizia: faça você, filhota. 

Quando me vi perdida, sem saber o que fazer, ouvi sua voz me dizer: Faça você! 

Conhecemos o agricultor Pedro e ele foi morar no nosso sítio. Ele começou a produzir alimentos, porém não conseguíamos vender e começamos a compreender a angústia de muitos agricultores. 

Eu já conhecia o conceito de CSA e acreditava ser esse o caminho ideal. Só não sabia como começar. 

Foi então que a Karen Longo, nutricionista e minha amiga, contou-me que estava com a ideia de fundar uma CSA em Rio Preto com base na Agricultura Natural. Eu pedi para ela incluir o sítio como um dos polos agrícolas. Ela me apresentou ao Cido e, assim, começamos juntos. 

Desde dezembro de 2017 nosso sítio está a serviço da agricultura natural e da CSA São José, o agricultor responsável em nosso sítio é o Pedro.